Terça-feira, 16 de Junho de 2009

  

O jornal eurovisivo português, ESCPortugal, realizou uma entrevista a Ricardo Soler.

 

Através de 26 perguntas, organizadas em quatro temas, Ricardo Soler foi convidado a partilhar as suas opiniões acerca do Festival da Canção e da Eurovisão.

 

 

 


 


 

 


Festival da Canção (FC):

1 - O que achou acerca do Festival da Canção 2009? (o melhor, o pior, etc.)
 

Ricardo Soler: O Festival da Canção 2009 não trouxe muito de novo a nível de produto final, contudo penso que teve algumas mudanças benéficas: foi dada a oportunidade a músicos, intérpretes, compositores, letristas de enviarem as suas criações; aprovo o regresso do júri distrital e ainda foi de louvar a reutilização do Teatro Camões. O lado mais negativo deste festival prende-se sobretudo com o facto do conjunto final das canções não ter sido da melhor qualidade.


2 - Em 2008, ano em que o Ricardo também participou no Festival da Canção, venceu a Vânia Fernandes. Achou justa esta vitória? Como designa a representação portuguesa na Eurovisão em 2008?
RS: A vitória foi justa. A Vânia é uma boa intérprete e defendeu muito bem o nosso país trazendo-nos um brilhante 13º lugar.

3 - Como foi a sua experiência no FC2008? (o impacto perante o público após a sua participação foi ainda maior do que durante a OT2007, ou permaneceu tudo igual? Considerou esta participação como um mero concurso ou sentiu uma grande responsabilidade por estar no FC2008, chegando a pensar na vitória? etc.)
RS: A minha experiência no festival da canção de 2008 não provocou um grande impacto na minha vida comparada com a minha participação na OT2007, mas desde pequeno que acompanhava o festival e queria participar. Foi um desafio e senti uma grande responsabilidade porque no fundo estamos a falar na representação do nosso país.
 

Eurovision Song Contest (ESC):

4 - Gostava de representar Portugal na Eurovisão?

RS: Representar e poder honrar o nosso país é sempre algo que é bastante apelativo, já o fiz em alguns festivais da canção (Turquia, Bulgária, etc.) e o saldo foi sempre positivo!

5 - Prefere representações mais tradicionais, ou prefere canções que não têm tantos elementos característicos desse país?

RS: Penso que uma canção “eurovisiva” deve aliar a música moderna a alguns elementos tradicionais/característicos de cada país que as tornem únicas e representativas, sendo a língua nativa o elemento que mais gosto que esteja presente.

5.1 – Imagine que os europeus preferem/gostam mais, por exemplo, dos elementos tradicionais da Grécia. Não acha que, neste caso, a Grécia teria mais probabilidades de vencer, chegando mesmo a ser a única a vencer consecutivamente?
RS: A Europa é um continente culturalmente riquíssimo e acredito que se existisse preferência, esta não se iria traduzir em vitórias frequentes da Grécia, porque não basta ter os elementos tradicionais nas canções, esses mesmos elementos têm de ser correctamente utilizados e as canções devem ter qualidade.

6 -  Considera justa a pontuação obtida por Portugal na Final do ESC2009?

RS: Na minha opinião a nossa canção deste ano deveria ter ficado classificada no TOP 10. Desde o festival nacional que acreditei nos FLOR-DE-LIS e no potencial de “Todas As Ruas Do Amor”. Foi uma canção que se destacou a nível musical, interpretativo e a nível de apresentação.

7 - Qual a sua canção preferida na edição deste ano do ESC? E a que menos gostou?

 

RS: Este ano, tal como no ano passado, não me permitiu escolher uma canção preferida ou decidir qual a canção que gostei menos. Gostei da Islândia, Suécia, Arménia, Reino Unido, Moldávia e Turquia e não gostei da Bulgária, Hungria, Azerbaijão, Grécia e Noruega.

8 - Tem como hábito acompanhar este evento?

RS: Sempre que posso acompanho atentamente a Eurovisão.

9 - Na sua opinião, o que acha que falta a Portugal para vencer a Eurovisão?

RS: Espírito vencedor. A Portugal não deve bastar a ideia de que se pode passar uma semi-final. Temos que querer ganhar o certame, embora dependa muito da canção e do investimento que se faz nela, a todos os níveis. Temos bons músicos, bons compositores e excelentes intérpretes, por isso…mãos à obra!

10 - Pensa que esta “invasão” pelos países de leste na Eurovisão, tem sido prejudicial para a qualidade deste evento? Considera que não é benéfico para Portugal?

RS: Não acredito que a participação crescente dos países de leste tenha prejudicado a qualidade do evento, muito pelo contrário, a Eurovisão é cada vez mais um espectáculo impressionante, na medida em que temos num só lugar diversos países pertencentes ao mesmo continente e que devem ser olhados como iguais. O “Leste” tem mostrado grandes valores e alguns são referências que ajudam a construir este espírito Europeu, afinal quem é que compôs a “Senhora do Mar”, defendida pela Vânia em 2008?

11 - A Eurovisão em Portugal, já não é o que era. Quais as razões que aponta para este facto?

RS: Na minha opinião, a principal razão para a Eurovisão em Portugal ter perdido o seu fulgor, prende-se com o desencanto resultante de nunca termos ganho.

12 - Qual o artista nacional que nos gostaria de ver a representar?

RS: Adoraria ver a Vanessa a representar-nos, reúne todas as condições para poder fazer um brilharete na Eurovisão.

13 - Qual é a canção que mais gostou de ver representar Portugal? E a que menos gostou?

RS: Independentemente das classificações finais, “O Meu Coração Não Tem Cor” da Lúcia Moniz e “Deixa-me Sonhar” da Rita Guerra são aquelas que assisti e que são favoritas, enquanto “Amar” dos 2B e “Antes do Adeus” da Célia Lawson são as que menos gostei.

14 - Imagine que, por exemplo, um artista internacionalmente conhecido como a Madonna representava Portugal. Acha que isso iria mudar a forma como a Eurovisão é vivida neste país? (ou seja, pensa que o interesse pelo assunto em questão ia mudar?; só o nome Madonna faria com que a vitória fosse conseguida, etc.)
RS: Se a Madonna representasse Portugal, nunca poderíamos dizer que tínhamos uma boa canção portuguesa a concurso, e se eventualmente ganhássemos nunca iríamos sentir que a vitória tinha sido por mérito nosso, mas sim pelo nome da pessoa que concorreu pelo nosso país. Claro que se iria dar muita cobertura ao assunto, mas isso não contribuiria propriamente para o aumento de interesse na Eurovisão.

15 - O que acha deste novo sistema de voto introduzido no ESC2009?

RS: Este novo sistema de voto, a meu ver parece trazer mais justiça na medida em que luta um pouco contra o sistema de “voto-vizinho” e permite fazer uma comparação entre a votação do público e a votação de pessoas que estão mais dentro da indústria musical.

16 - Na sua opinião, este sistema foi benéfico/mais justo no que toca as pontuações obtidas?

RS: Tirando algumas excepções, penso que este sistema foi mais benéfico.

17 - Fala-se de quem em 2010, nas semi-finais também será utilizado o sistema 50/50. Concorda?

RS: Estou totalmente de acordo.

18 - Existe algum país em que o Ricardo, todos os anos saiba que pode confiar nele pois apresenta quase sempre boas canções?

RS: Eu gosto de ser surpreendido e gosto de assistir às tentativas de cada país em se mostrarem criativos e em se superarem ano após ano, por isso, sempre que assisto à Eurovisão tento sempre fazê-lo de mente aberta e receptiva, porque ao mesmo tempo estou a aprender coisas novas e a experimentar novas sonoridades. É frequente, após a Eurovisão, apanharem-me a trautear canções que estiveram a concurso.


Júri Nacional

19 - Como reagiu ao ser convidado para integrar o júri nacional português?

RS: Foi com grande satisfação que recebi o convite e fiquei entusiasmado por poder dar o meu contributo. Acho que foi levada em consideração o facto de eu ter participado em alguns festivais pela Europa e o meu grande interesse pela Eurovisão.

20 - Foi muito difícil chegar a um consenso?

RS: Não tivemos que chegar a um consenso, porque cada elemento do Júri votou de forma individual e anónima, tendo sido somados os pontos de cada elemento e de seguida atribuídos os pontos “eurovisivos” aos primeiros 10 classificados.

21 - Gostou dos outros elementos escolhidos para integrarem o grupo?

RS: Considero que os elementos escolhidos formaram um grupo interessante que foi sempre partilhando a opinião durante o “desfile” das canções e acredito que votámos todos em plena consciência e concentrados no trabalho que estávamos a fazer.

22 - Está de acordo com a pontuação final obtida pelo consenso do júri (principalmente com o facto dos 12 pontos terem sido atribuídos à Moldávia)?

RS: Só podendo falar por mim, os meus 12 pontos não foram para a Moldávia, mas também lhes atribuí boa pontuação, logo não me faz qualquer confusão que a Moldávia tenha ficado com 12 pontos na pontuação combinada.

23 - Quais os principais aspectos que levaram a que os 12 pontos fossem atribuídos à Moldávia?

RS: Na minha opinião a canção moldava era extremamente rica. Boa sonoridade, a coreografia era exigente, a interpretação também e mesmo a nível visual a canção destacava-se pela positiva.

24 - Com a junção do júri e público, acha que foi obtido um resultado justo? 
RS: Tirando a aparição da Ucrânia na tabela, acho que o resultado obtido foi justo.


RTP

25 - Acha que a RTP tem tratado duma forma correcta a Eurovisão? (na sua opinião têm sido tomadas as melhores medidas no que toca à divulgação deste evento? etc.)Quais as medidas que, na sua opinião, deviam ser tomadas para que o ESC e o FC voltassem a ser eventos com um êxito igual ou maior do que antigamente?

RS: Noto, por parte da RTP, nos últimos dois anos, uma tentativa louvável de promoção mais eficaz em relação ao festival, mas que ainda não é suficiente. Penso que o nosso festival é realizado demasiado em cima da Eurovisão e que devia ser disponibilizado mais tempo quer para divulgar o festival, quer para apurar e preparar a canção vencedora do festival para a Eurovisão. Após o festival, devíamos investir na promoção da nossa canção junto de outros países e inclusive fazer algumas partes da canção na língua do país visitado, de modo a chamar a atenção do público que vota. Mas acima de tudo penso que o factor tempo é importante e devíamos seguir o exemplo dos países que, mal acaba a Eurovisão, começam logo a preparar-se para o ano que segue.


26 - Imagine que a Eurovisão em Portugal saía da RTP e ia para a SIC ou para a TVI. Acha que seria benéfico no que toca à divulgação do invento e ao impacto que teria perante o público? (por exemplo, neste caso pensa que o interesse/ansiedade podia ser maior que aquele que, por exemplo, o Rock in Rio tem?)

 
RS: A diferença não seria muita, talvez existisse mais dinheiro para ser gasto em promoção e mais pessoas a assistir ao festival/Eurovisão, mas não nos podemos esquecer que estes eventos têm mais de 50 anos e uma história, logo dissociar a RTP do festival seria estranho.
 

 

FONTE: ESCPORTUGAL

 



publicado por Administração às 00:01 | link do post | comentar | favorito

1 comentário:
De nunes a 28 de Junho de 2009 às 21:04
Gostei muito de ler esta entrevista, com perguntas bem elaboradas, algumas com rasteiras, mas a que o Ricardo respondeu de forma extremamente inteligente e frontal, como aliás é seu hábito.Mais uma vez, és o nosso orgulho!


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